Árvore Viva
A comissão organizadora e os responsáveis pela atividade dessa noite, a nossa Árvore Viva, me pediram que falasse um pouco a respeito da Árvore.
Quando comecei a pensar no que poderia dizer, lembrei-me do nosso 1o encontro, no clube dos 500, há oito anos atrás.
Lembrei quando os primos Vitalis, Mathusa, Jacques Wrona, Marcos Goldshmidt, começaram a falar em um 1o encontro da família.
Em como eles inventaram termos como “cabeça de galho”, inventaram formas de funcionar, jeitos de viabilizar, dividiram, somaram, e o que parecia um sonho impossível, foi, aos poucos, se configurando. As dificuldades foram sendo contornadas e o 1o Encontro aconteceu e superou quaisquer expectativas.
Lembro-me da deliciosa sensação que tive na chegada. De repente para todo lugar que eu olhava, via uma pessoa conhecida. Alguém que tinha um significado afetivo para mim. Pessoas que eu não via há muito tempo e que, em uma ou outra ocasião tinham sido uma parte importante da minha vida. Não sabia quem abraçava primeiro.
Cada momento que compartilhamos foi especial. Cada lembrança, cada conversa, cada saudade. Esse encontro nos mostrou como éramos ligados, como tínhamos prazer na convivência mútua e, algo que nem sabíamos: como sentíamos a falta uns dos outros.
Depois, vieram o 2o e o 3o Encontros, igualmente bons, igualmente emocionantes. Nos separávamos sempre alimentados de afeto e esperando o próximo encontro acontecer.
E, como a nossa árvore é viva, as perdas foram se sucedendo: algumas folhas secaram e morreram e surgiram brotinhos novos celebrando a vida. Sofremos perdas tão sentidas, que duvidei que o 4o encontro saísse. É duro assistir nossos pares partindo e ter a coragem para continuar.
Mas, eis que a geração seguinte despontou. Com comprometimento, competência, criatividade e ousadia. A 1a geração recuou, orgulhosa de seus frutos, e (vigiando atentamente, claro) cedeu o lugar.
O 4o Encontro, não só saiu, como foi excelente e apontou novos caminhos. As novas gerações começaram a tecer laços, criar redes, emaranhar os galhos.Pessoas que mal tinha convivido fora do seu próprio galho, ligadas por um vínculo invisível, mas muito forte, juntaram esforços, encontraram uma linguagem comum e, formaram uma equipe que soube lidar com o desafio.
E, ao vence-lo, nos proporcionaram um encontro enriquecedor.
Chegada a hora do 5o Encontro, lá estavam eles, prontos para assumir a responsabilidade, carregar a bandeira. Com orgulho, com raça.
Então, olho para essa Árvore Viva, que condensa a nossa estória, reunindo aqui 4 gerações e penso: O que tem de especial nela que a mantém viva e pujante? O que faz brotar frutos doces que amadurecem com qualidade e sabem valorizar suas raízes, tronco, galhos, flores e frutos?
E me vem á memória as palavras emocionadas do meu tio Jacques Wrona no nosso 1o Encontro. Dizia ele abrindo os braços num gesto que parecia um grande abraço: O que vocês estão vendo aqui, é AMOR.
E é isso: Tudo isso e apenas isso.
É esse o adubo que usamos na nossa árvore. Foi essa a riqueza trazida por nossos pais e avós quando tiveram que abandonar a pátria e o lar, e se espalhar pelo mundo. Com esse amor eles trabalharam duramente, constituíram famílias, se doaram se dedicaram e nos ensinaram em cada palavra e em cada ato, a importância de nos mantermos unidos, de preservarmos nossas origens. Eles, que tanto perderam em termos de família nos legaram valores sólidos de integridade e amor familiar.
Tenho certeza que alcançaram seus objetivos. E que hoje, estejam onde estiverem, se alegram conosco.
E têm muito orgulho de nós.